Como segmentar o mercado por CNAE, porte e região
Como usar CNAE, porte e região para segmentar o mercado e montar listas B2B: estrutura da CNAE, códigos de porte da Receita, filtros e erros comuns.

Resumo rápido
- CNAE, porte e região são os três filtros mais usados para transformar o ICP em uma lista de empresas no Brasil.
- A CNAE tem cinco níveis; o cadastro do CNPJ usa a subclasse, de 7 dígitos, com uma atividade principal e as secundárias.
- Nos dados abertos do CNPJ, o porte vem como microempresa, empresa de pequeno porte ou demais; número de funcionários não faz parte do cadastro.
- Comece pelos CNAEs dos seus melhores clientes, combine com porte, região e situação cadastral ativa, e valide uma amostra antes de prospectar.
- CNAE declarado nem sempre descreve o negócio real: confirme no site da empresa antes de abordar.
Segmentar o mercado por CNAE, porte e região é a forma mais prática de transformar o perfil de cliente ideal em uma lista de empresas reais no Brasil. A CNAE diz o que a empresa faz, o porte diz o tamanho dela no cadastro e a região diz onde ela está. Combinados com a situação cadastral (só empresas ativas), esses três filtros reduzem um universo de milhões de CNPJs a algumas centenas ou milhares de contas com chance real de comprar.
Este tutorial explica como a CNAE é organizada, como escolher os códigos certos, o que os dados públicos dizem sobre porte, como recortar por região e como validar a lista antes de prospectar. Ele parte do ICP e alimenta o cálculo de TAM, SAM e SOM e a lista de prospecção qualificada.
Por que esses três filtros
| Filtro | Pergunta que responde | Onde está o dado |
|---|---|---|
| CNAE | O que a empresa faz? | Cadastro do CNPJ (atividade principal e secundárias) |
| Porte | Qual o tamanho da empresa? | Cadastro do CNPJ (código de porte) e fontes complementares |
| Região | Onde a empresa está? | Cadastro do CNPJ (UF e município de cada estabelecimento) |
Os três estão no cadastro público do CNPJ, o que permite segmentar o mercado com dados oficiais antes de recorrer a bases pagas. O dicionário oficial dos dados abertos do CNPJ, publicado pela Receita Federal, lista esses e outros campos.
Como a CNAE é organizada
A CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é mantida pelo IBGE e documentada na Comissão Nacional de Classificação (CONCLA). Ela tem cinco níveis, do mais amplo ao mais detalhado. O último, a subclasse, é o usado nos cadastros da administração pública, como o CNPJ.
| Nível | Formato | Exemplo |
|---|---|---|
| Seção | Letra | C: Indústrias de transformação |
| Divisão | 2 dígitos | 22: Fabricação de produtos de borracha e de material plástico |
| Grupo | 3 dígitos | 22.2: Fabricação de produtos de material plástico |
| Classe | 4 dígitos e dígito verificador | 22.22-6: Fabricação de embalagens de material plástico |
| Subclasse | 7 dígitos | 2222-6/00: Fabricação de embalagens de material plástico |
Na prática, isso permite segmentar em diferentes profundidades: uma empresa que vende para toda a indústria pode filtrar pela seção C; uma que só atende fabricantes de embalagens plásticas pode filtrar pela subclasse.
Cada estabelecimento tem um CNAE principal e pode ter vários CNAEs secundários. O principal costuma refletir a atividade mais relevante; os secundários incluem atividades complementares, e às vezes atividades que a empresa registrou mas não exerce.
Como escolher os CNAEs certos
O jeito mais confiável de escolher os códigos é partir de quem já é cliente:
- Liste os seus melhores clientes (os que mais compram, menos cancelam e se beneficiam mais).
- Consulte o CNPJ de cada um no comprovante de inscrição da Receita e anote o CNAE principal e os secundários.
- Agrupe: quais subclasses se repetem? Elas são o núcleo da sua segmentação.
- Expanda com cuidado: subclasses vizinhas, da mesma classe ou do mesmo grupo, podem ter empresas parecidas. Teste com amostras antes de incluir.
- Exclua o que não serve: atividades que parecem próximas mas têm outro modelo de negócio (por exemplo, quem revende em vez de fabricar).
Um exemplo ilustrativo: uma empresa que vende software de manutenção industrial descobre que a maioria dos clientes tem CNAE principal nas divisões 10 (alimentos), 22 (borracha e plástico) e 25 (produtos de metal). Em vez de abordar a indústria inteira, ela começa por essas três divisões e depois testa outras.
Porte: o que os dados públicos dizem
Nos dados abertos do CNPJ, o porte aparece com quatro códigos: 00 (não informado), 01 (microempresa), 03 (empresa de pequeno porte) e 05 (demais), conforme o dicionário de dados da Receita. Os dados também indicam se a empresa é optante pelo Simples Nacional e pelo MEI.
Isso é útil para excluir quem é pequeno demais para o seu produto, mas tem dois limites:
- “Demais” é uma faixa enorme: vai de empresas médias a grandes grupos. Para separar as médias das grandes, é preciso outra fonte.
- O cadastro não traz número de funcionários nem faturamento.
Para refinar o porte, as alternativas são:
| Fonte | O que oferece | Limite |
|---|---|---|
| Classificação de porte do BNDES | Faixas por receita operacional bruta | Referência, não um dado por empresa |
| Estatísticas do IBGE (Cadastro Central de Empresas) e da RAIS | Pessoal ocupado agregado por atividade e região | Agregado: ajuda a dimensionar o mercado, não a filtrar empresa a empresa |
| LinkedIn e site da empresa | Estimativa de funcionários e estrutura | Manual, nem sempre preciso |
| Bases comerciais | Estimativas de funcionários e faturamento por CNPJ | Pagas; confira a metodologia e a origem dos dados |
Região
O cadastro traz a UF e o código do município de cada estabelecimento. Três decisões importam:
- Matriz ou filial: o campo identificador separa os dois. Em muitas vendas B2B, a decisão de compra fica na matriz, mesmo que a filial seja a usuária. Em outras, como serviços locais, a filial é o alvo.
- Raio de atendimento: se a sua entrega é presencial, defina os municípios atendidos antes de montar a lista.
- Concentração: começar por uma região facilita mensagens com referências locais, eventos presenciais e visitas.
Outros filtros do cadastro que ajudam
- Situação cadastral: use apenas empresas ativas. O cadastro distingue ativas, suspensas, inaptas, baixadas e nulas.
- Data de início da atividade: empresas muito novas podem não ter estrutura ou orçamento; empresas abertas recentemente podem ser alvo de produtos para quem está começando.
- Natureza jurídica: separa empresas privadas, órgãos públicos, associações e cooperativas.
- Optante pelo Simples ou MEI: ajuda a excluir ou a focar pequenos negócios.
Juntando tudo: matriz de segmentos
Com os filtros definidos, monte uma matriz de segmentos e priorize. Um exemplo ilustrativo:
| Segmento | CNAE | Porte | Região | Prioridade |
|---|---|---|---|---|
| A | Divisão 22 (plástico) | Demais | SP, PR, SC | Alta: perfil dos melhores clientes |
| B | Divisão 10 (alimentos) | Demais | SP, MG | Alta: bom histórico, ciclo mais longo |
| C | Divisão 25 (metal) | Pequeno porte | SP | Média: testar com amostra |
| D | Seção C (toda a indústria) | Pequeno porte | Sul | Baixa: só depois dos testes |
Para cada segmento, conte quantas empresas existem. Esse número é a base para o TAM, SAM e SOM e para calcular quanto tempo o time leva para trabalhar a lista com a calculadora de capacidade do SDR.
Valide antes de prospectar
Filtros de cadastro são um ponto de partida, não uma garantia. Antes de colocar um segmento inteiro em cadência:
- Sorteie uma amostra de 20 a 30 empresas do segmento.
- Confira no site de cada uma se o negócio real corresponde ao CNAE.
- Verifique o tamanho pela estrutura aparente: unidades, equipe, presença digital.
- Calcule a taxa de acerto: quantas da amostra realmente estão no ICP?
- Ajuste os filtros se a taxa for baixa, e só então amplie.
Depois de validado, o segmento passa para o enriquecimento de dados, em que se busca quem decide em cada empresa. As fontes estão em fontes de dados de empresas no Brasil.
Erros comuns
- Usar só o CNAE secundário, que traz muitas empresas que não exercem a atividade.
- Confiar no porte “demais” como sinônimo de grande empresa.
- Esquecer de filtrar empresas ativas, e abordar CNPJs baixados.
- Abordar filiais quando a decisão está na matriz, ou o contrário.
- Segmentar amplo demais e escrever mensagens genéricas, que não servem a nenhum segmento.
- Não validar com amostra antes de colocar milhares de contas em cadência.
Dados de empresas não são dados pessoais, mas os nomes de sócios e os contatos de pessoas que entram depois na lista são. Veja os cuidados em LGPD na prospecção.
Perguntas frequentes
O que é CNAE?
CNAE é a Classificação Nacional de Atividades Econômicas, mantida pelo IBGE. Ela padroniza os códigos de atividade das empresas no Brasil e é usada no cadastro do CNPJ, em que cada estabelecimento tem uma atividade principal e pode ter atividades secundárias.
Como descobrir o CNAE de uma empresa?
Pelo comprovante de inscrição do CNPJ, consultado gratuitamente no site da Receita Federal, ou pelos dados abertos do CNPJ, que trazem o CNAE principal e os secundários de cada estabelecimento.
Dá para filtrar empresas por número de funcionários usando dados públicos?
Não diretamente pelo cadastro do CNPJ, que não traz o número de funcionários. Os dados abertos trazem o porte (microempresa, pequeno porte ou demais). Para estimar funcionários, as alternativas são estatísticas agregadas, como as do IBGE e da RAIS, bases comerciais ou a pesquisa empresa a empresa.
Devo usar o CNAE principal ou também os secundários?
Comece pelo principal, que descreve a atividade mais relevante do estabelecimento. Os secundários ampliam a lista, mas trazem mais empresas fora do perfil, porque muitas registram atividades que não exercem de fato. Use-os com validação.

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Gestor de Marketing, Especialista em SEO e GEO e Especialista em Prospecção B2B
Gestor de Marketing da WESOW, especialista em SEO, GEO (Generative Engine Optimization) e prospecção B2B. Há mais de dez anos atua com marketing B2B para vendas de alto ticket, conectando conteúdo, presença nas buscas e prospecção ativa para gerar demanda qualificada em ciclos de venda complexos.
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