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ICP e Mercado

Como segmentar o mercado por CNAE, porte e região

Como usar CNAE, porte e região para segmentar o mercado e montar listas B2B: estrutura da CNAE, códigos de porte da Receita, filtros e erros comuns.

por Danilo Meireles Publicado em 7 min de leitura
Capa do artigo: Como segmentar o mercado por CNAE, porte e região

Resumo rápido

  • CNAE, porte e região são os três filtros mais usados para transformar o ICP em uma lista de empresas no Brasil.
  • A CNAE tem cinco níveis; o cadastro do CNPJ usa a subclasse, de 7 dígitos, com uma atividade principal e as secundárias.
  • Nos dados abertos do CNPJ, o porte vem como microempresa, empresa de pequeno porte ou demais; número de funcionários não faz parte do cadastro.
  • Comece pelos CNAEs dos seus melhores clientes, combine com porte, região e situação cadastral ativa, e valide uma amostra antes de prospectar.
  • CNAE declarado nem sempre descreve o negócio real: confirme no site da empresa antes de abordar.
Neste artigo
  1. Por que esses três filtros
  2. Como a CNAE é organizada
  3. Como escolher os CNAEs certos
  4. Porte: o que os dados públicos dizem
  5. Região
  6. Outros filtros do cadastro que ajudam
  7. Juntando tudo: matriz de segmentos
  8. Valide antes de prospectar
  9. Erros comuns

Segmentar o mercado por CNAE, porte e região é a forma mais prática de transformar o perfil de cliente ideal em uma lista de empresas reais no Brasil. A CNAE diz o que a empresa faz, o porte diz o tamanho dela no cadastro e a região diz onde ela está. Combinados com a situação cadastral (só empresas ativas), esses três filtros reduzem um universo de milhões de CNPJs a algumas centenas ou milhares de contas com chance real de comprar.

Este tutorial explica como a CNAE é organizada, como escolher os códigos certos, o que os dados públicos dizem sobre porte, como recortar por região e como validar a lista antes de prospectar. Ele parte do ICP e alimenta o cálculo de TAM, SAM e SOM e a lista de prospecção qualificada.

Por que esses três filtros

Filtro Pergunta que responde Onde está o dado
CNAE O que a empresa faz? Cadastro do CNPJ (atividade principal e secundárias)
Porte Qual o tamanho da empresa? Cadastro do CNPJ (código de porte) e fontes complementares
Região Onde a empresa está? Cadastro do CNPJ (UF e município de cada estabelecimento)

Os três estão no cadastro público do CNPJ, o que permite segmentar o mercado com dados oficiais antes de recorrer a bases pagas. O dicionário oficial dos dados abertos do CNPJ, publicado pela Receita Federal, lista esses e outros campos.

Como a CNAE é organizada

A CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é mantida pelo IBGE e documentada na Comissão Nacional de Classificação (CONCLA). Ela tem cinco níveis, do mais amplo ao mais detalhado. O último, a subclasse, é o usado nos cadastros da administração pública, como o CNPJ.

Nível Formato Exemplo
Seção Letra C: Indústrias de transformação
Divisão 2 dígitos 22: Fabricação de produtos de borracha e de material plástico
Grupo 3 dígitos 22.2: Fabricação de produtos de material plástico
Classe 4 dígitos e dígito verificador 22.22-6: Fabricação de embalagens de material plástico
Subclasse 7 dígitos 2222-6/00: Fabricação de embalagens de material plástico

Na prática, isso permite segmentar em diferentes profundidades: uma empresa que vende para toda a indústria pode filtrar pela seção C; uma que só atende fabricantes de embalagens plásticas pode filtrar pela subclasse.

Cada estabelecimento tem um CNAE principal e pode ter vários CNAEs secundários. O principal costuma refletir a atividade mais relevante; os secundários incluem atividades complementares, e às vezes atividades que a empresa registrou mas não exerce.

Como escolher os CNAEs certos

O jeito mais confiável de escolher os códigos é partir de quem já é cliente:

  1. Liste os seus melhores clientes (os que mais compram, menos cancelam e se beneficiam mais).
  2. Consulte o CNPJ de cada um no comprovante de inscrição da Receita e anote o CNAE principal e os secundários.
  3. Agrupe: quais subclasses se repetem? Elas são o núcleo da sua segmentação.
  4. Expanda com cuidado: subclasses vizinhas, da mesma classe ou do mesmo grupo, podem ter empresas parecidas. Teste com amostras antes de incluir.
  5. Exclua o que não serve: atividades que parecem próximas mas têm outro modelo de negócio (por exemplo, quem revende em vez de fabricar).

Um exemplo ilustrativo: uma empresa que vende software de manutenção industrial descobre que a maioria dos clientes tem CNAE principal nas divisões 10 (alimentos), 22 (borracha e plástico) e 25 (produtos de metal). Em vez de abordar a indústria inteira, ela começa por essas três divisões e depois testa outras.

Porte: o que os dados públicos dizem

Nos dados abertos do CNPJ, o porte aparece com quatro códigos: 00 (não informado), 01 (microempresa), 03 (empresa de pequeno porte) e 05 (demais), conforme o dicionário de dados da Receita. Os dados também indicam se a empresa é optante pelo Simples Nacional e pelo MEI.

Isso é útil para excluir quem é pequeno demais para o seu produto, mas tem dois limites:

  • “Demais” é uma faixa enorme: vai de empresas médias a grandes grupos. Para separar as médias das grandes, é preciso outra fonte.
  • O cadastro não traz número de funcionários nem faturamento.

Para refinar o porte, as alternativas são:

Fonte O que oferece Limite
Classificação de porte do BNDES Faixas por receita operacional bruta Referência, não um dado por empresa
Estatísticas do IBGE (Cadastro Central de Empresas) e da RAIS Pessoal ocupado agregado por atividade e região Agregado: ajuda a dimensionar o mercado, não a filtrar empresa a empresa
LinkedIn e site da empresa Estimativa de funcionários e estrutura Manual, nem sempre preciso
Bases comerciais Estimativas de funcionários e faturamento por CNPJ Pagas; confira a metodologia e a origem dos dados

Região

O cadastro traz a UF e o código do município de cada estabelecimento. Três decisões importam:

  • Matriz ou filial: o campo identificador separa os dois. Em muitas vendas B2B, a decisão de compra fica na matriz, mesmo que a filial seja a usuária. Em outras, como serviços locais, a filial é o alvo.
  • Raio de atendimento: se a sua entrega é presencial, defina os municípios atendidos antes de montar a lista.
  • Concentração: começar por uma região facilita mensagens com referências locais, eventos presenciais e visitas.

Outros filtros do cadastro que ajudam

  • Situação cadastral: use apenas empresas ativas. O cadastro distingue ativas, suspensas, inaptas, baixadas e nulas.
  • Data de início da atividade: empresas muito novas podem não ter estrutura ou orçamento; empresas abertas recentemente podem ser alvo de produtos para quem está começando.
  • Natureza jurídica: separa empresas privadas, órgãos públicos, associações e cooperativas.
  • Optante pelo Simples ou MEI: ajuda a excluir ou a focar pequenos negócios.

Juntando tudo: matriz de segmentos

Com os filtros definidos, monte uma matriz de segmentos e priorize. Um exemplo ilustrativo:

Segmento CNAE Porte Região Prioridade
A Divisão 22 (plástico) Demais SP, PR, SC Alta: perfil dos melhores clientes
B Divisão 10 (alimentos) Demais SP, MG Alta: bom histórico, ciclo mais longo
C Divisão 25 (metal) Pequeno porte SP Média: testar com amostra
D Seção C (toda a indústria) Pequeno porte Sul Baixa: só depois dos testes

Para cada segmento, conte quantas empresas existem. Esse número é a base para o TAM, SAM e SOM e para calcular quanto tempo o time leva para trabalhar a lista com a calculadora de capacidade do SDR.

Valide antes de prospectar

Filtros de cadastro são um ponto de partida, não uma garantia. Antes de colocar um segmento inteiro em cadência:

  1. Sorteie uma amostra de 20 a 30 empresas do segmento.
  2. Confira no site de cada uma se o negócio real corresponde ao CNAE.
  3. Verifique o tamanho pela estrutura aparente: unidades, equipe, presença digital.
  4. Calcule a taxa de acerto: quantas da amostra realmente estão no ICP?
  5. Ajuste os filtros se a taxa for baixa, e só então amplie.

Depois de validado, o segmento passa para o enriquecimento de dados, em que se busca quem decide em cada empresa. As fontes estão em fontes de dados de empresas no Brasil.

Erros comuns

  • Usar só o CNAE secundário, que traz muitas empresas que não exercem a atividade.
  • Confiar no porte “demais” como sinônimo de grande empresa.
  • Esquecer de filtrar empresas ativas, e abordar CNPJs baixados.
  • Abordar filiais quando a decisão está na matriz, ou o contrário.
  • Segmentar amplo demais e escrever mensagens genéricas, que não servem a nenhum segmento.
  • Não validar com amostra antes de colocar milhares de contas em cadência.

Dados de empresas não são dados pessoais, mas os nomes de sócios e os contatos de pessoas que entram depois na lista são. Veja os cuidados em LGPD na prospecção.

Perguntas frequentes

O que é CNAE?

CNAE é a Classificação Nacional de Atividades Econômicas, mantida pelo IBGE. Ela padroniza os códigos de atividade das empresas no Brasil e é usada no cadastro do CNPJ, em que cada estabelecimento tem uma atividade principal e pode ter atividades secundárias.

Como descobrir o CNAE de uma empresa?

Pelo comprovante de inscrição do CNPJ, consultado gratuitamente no site da Receita Federal, ou pelos dados abertos do CNPJ, que trazem o CNAE principal e os secundários de cada estabelecimento.

Dá para filtrar empresas por número de funcionários usando dados públicos?

Não diretamente pelo cadastro do CNPJ, que não traz o número de funcionários. Os dados abertos trazem o porte (microempresa, pequeno porte ou demais). Para estimar funcionários, as alternativas são estatísticas agregadas, como as do IBGE e da RAIS, bases comerciais ou a pesquisa empresa a empresa.

Devo usar o CNAE principal ou também os secundários?

Comece pelo principal, que descreve a atividade mais relevante do estabelecimento. Os secundários ampliam a lista, mas trazem mais empresas fora do perfil, porque muitas registram atividades que não exercem de fato. Use-os com validação.

Danilo Meireles

Escrito por

Danilo Meireles

Gestor de Marketing, Especialista em SEO e GEO e Especialista em Prospecção B2B

Gestor de Marketing da WESOW, especialista em SEO, GEO (Generative Engine Optimization) e prospecção B2B. Há mais de dez anos atua com marketing B2B para vendas de alto ticket, conectando conteúdo, presença nas buscas e prospecção ativa para gerar demanda qualificada em ciclos de venda complexos.

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